Singapura
Chineses, hindus,
japoneses, ingleses e... brasileiros! Singapura é um labirinto cultural, uma
espécie de miniatura da globalização (ia quase dizendo “civilização”, mas aí já
seria um tremendo exagero). Programa oficial do governo: transformar a cidade-
Estado em “ilha inteligente”. Melhor seria chamar aquele pedaço de terra,
antiga propriedade da Malásia, de ilha artificial. Toda a água é importada!
Trata-se de uma
ilha de 639 km2 com população de 3,4 milhões, Índice de Desenvolvimento Humano
de 0,888 (o índice do Brasil é 0,739) e PIB de US$ 93 bilhões. A taxa de
crescimento econômico foi, em média, de 8,7% ao ano entre 1990 e 1996. A crise
asiática afetou a ilha, mas já no ano passado a recuperação começava com força.
O investimento
representava em 1998 nada menos que 35% do PIB (o Brasil, há 30 anos, não sai
da casa dos 20% do PIB), com 70% dos empregos gerados no setor de serviços. A
poupança doméstica é de mais de 50% do PIB. Não é portanto casual que a cidade-
Estado seja considerada uma das mais competitivas do mundo.
Elo de ligação
Singapura é o
exemplo mais acabado de plataforma exportadora baseada em sistemas de intermediação.
Na prática, faz
reexportação, funcionando como elo entre as economias da Ásia e mantendo
relações bastante especiais com a China, já que a elite dominante em Singapura
é constituída por chineses étnicos. O governo é uma ditadura adocicada pelo
sucesso econômico. Estado forte, que dirige uma série de programas, além do relativo
à tecnologia da informação. Seu objetivo é fazer da ilha um centro de
indústrias e setores definidos pela alta intensidade de conhecimento.
Em seu formato mais
recente, Singapura foi fundada como nação independente e soberana em agosto de
1965, quando se separou da Malásia. Em 1967, a Grã-Bretanha decidiu retirar suas tropas da ilha. As restrições ao
país ocorrem em função do sistema político: o poder está concentrado, há cerca
de 30 anos, nas mãos de Lee Kuan Yew.
O sucesso econômico
é tão grande que a oposição obviamente tem dificuldades até mesmo para definir
uma agenda política e social alternativa.
Sistemas locais,
clusters, pólos, hubs, mega cidades e cidades-Estado, projetos de integração
regional, sistemas orientados por diásporas (como o chinês): sem muito
estardalhaço, surgiram inúmeros modelos alternativos de desenvolvimento
econômico numa época definida, paradoxalmente, como de globalização. Ou seja,
de suposta convergência mundial rumo a um modelo integrado e homogêneo.
O global e o local
Singapura é um dos
mais notáveis exemplos de sucesso. De um lado, integração máxima aos circuitos
globalizados. Ao mesmo tempo, reafirmação de um espaço local, com políticas
diferenciadas e um enorme apetite por inovação tecnológica e criatividade
institucional. A “inteligência” é vista como uma vantagem competitiva para
atrair investimento estrangeiro.
Afinal, o que
impede uma empresa multinacional de instalar o centro de operações de sua rede
numa ilha com infra-estrutura de alta qualidade, segurança e mão-de-obra
qualificada? O governo de Singapura quer levar a idéia de hub (centro de
conexão), que já funciona com relação à sua infra-estrutura portuária, para a
dimensão virtual das tecnologias da informação.
É como se em
Cingapura estivesse em curso uma tentativa de recriar a geografia a partir das
novas tecnologias.
É uma ilha
intensiva em tecnologia da informação.











